Cervejarias Trapistas

Selo Trapista

Entre nós apreciadores de uma boa cerveja, rola muito papo sobre as cervejas trapistas. Uns dizem que são as melhores do mundo, outros acham que só são exclusivas e por ai vai. Mas por experiência própria, todas as que provei realmente me impressionaram. São muito boas e todos que tiverem a oportunidade deveriam provar as benditas.

Mas afinal, o que é trapista? Só existe a cerveja trapista ou tem mais coisas?
Vamos tornar as coisas mais simples.

A Ordem Cisterciense da Estrita Observância, mais comumente chamada de Trapista, é uma ordem católica de monges que seguem a regra Beneditina que prega obediência, pobreza, humildade e silêncio, conciliando a vida monástica entre o trabalho, o estudo e a meditação. Eles resolveram fabricar produtos para poderem sustentar as abadias com a venda.

Esses monges fazem de tudo: pão, cerveja, mel, carne, queijo, licor, champagne, chocolate, cosméticos e por aí vai. Das 18 abadias quem compõem a Associação Trapista Internacional, somente 11 produzem as tais cervejas. Sim, agora já são 11 mosteiros fabricando cervejas trapistas. Então, Trapista não é um estilo. Para um mosteiro poder comercializar uma cerveja com o selo trapista ela tem que ser fabricada sob algumas regras:

  • A cerveja deve ser fabricada dentro das paredes do mosteiro trapista pelos próprios monges ou sob a sua supervisão;

  • A cervejaria deve ser subordinada ao mosteiro e deve ter uma cultura empresarial condizente ao projeto de vida monástica;

  • A cervejaria é quase filantrópica, sem fins lucrativos. Os recursos são para o sustento dos monges e para a preservação da abadia. O que sobra é usado em causas sociais ou doado para pessoas carentes;

  • A cerveja trapista é de uma qualidade impecável, que é controlada permanentemente.
Agora o que interessa mesmo é saber quais são esses mosteiros e seus rótulos mais famosos para que possamos degustar essas maravilhas.

Vamos começar pelas cervejas da abadia Koningshoeven, responsável não só pela cerveja La Trappe, mas também por pães, bolachas, chocolates e geleias podem ser encontradas em Tilburg – Holanda:

Uma trapista light, fácil de beber, refrescante e lupulada. Uma cerveja orgânica.

A única Witbier trapista do mundo. Com refermentação na garrafa, feita usando somente água, trigo e lúpulo.

Essa cintilante cerveja dourada ostenta um rico, frutado e refrescante aroma. Um gosto levemente doce e maltado. Suave amargor um retrogosto amigável.

Uma Belgian Dark Strong Ale memorável. Bom corpo, escura, espuma consistente, aroma e sabor de caramelo sem ser excessivamente doce. Ótima!

De um profundo marrom-avermelhado e com uma atrativa espuma bege. O uso do malte caramelo confere um suave aroma caramelizado.

Essa cerveja sazonal é a única trapista do estilo Bock no mundo.

Essa cerveja sazonal é a única trapista do estilo Bock no mundo.

Isidorus foi o primeiro mestre-cervejeiro das La Trappe. Essa cerveja marcou os 125 anos (2009) de produção cervejeira.

Aroma de malte e ésteres. Usa coentro e outras especiarias na sua fórmula

É a La Trappe mais forte. De cor âmbar quente, de intenso aroma rico e balanceado.

 Feita com a velha tradição de envelhecer bebidas em barriletes de madeira que conferem à breja aromas únicos.

A abadia belga de Scourmont-lez-Chimay é responsável por queijos trapistas e pelas cervejas Chimay.

Essa cerveja existe desde 2007 e só era servida no Hostel Peatoupré, mas no hoje já é produzida em larga escala. Dourada, com o denso colarinho branco, apresenta aromas frutados e florais de levedura, leve dulçor e corpo baixo.

Foi a primeira cerveja feita pela a abadia. Uma Belgian Dubbel acobreada, espuma consistente, leve aroma frutado de damasco vindo da fermentação. Sabor de malte e um perceptível frutado.

 Sutil combinação de lúpulos refrescantes e leveduras que conferem um frutado de maça, uvas verdes… Uma bela Belgian Tripel.

Uma Belgian Dark Strong Ale memorável. Bom corpo, escura, espuma consistente, aroma e sabor de caramelo sem ser excessivamente doce. Ótima!

As cervejas Westmalle são feitas pelos monges da abadia belga de mesmo nome, que também produz queijos.

O doce residual encontrado em cervejas mais alcoólicas não é tão perceptível nesta cerveja, o que me agrada. Um certo frutado, toffee, torrado, café, espuma persistente e final seco.

 Chamada de a “mãe das Tripels”. Sentimos um frutado cítrico, maltado, lupulado e com final alcoólico bem aparente.

Essa raridade é provada por poucos, servida no mosteiro somente aos monges e a visitantes. “No aroma, traz notas de frutas frescas, especialmente peras, maçã vermelha e sugestões de damasco. O corpo é leve e a carbonatação, alta. Equilibrada.” M. Beltramelli – Brejas.

 Diferente das outras cervejarias trapistas a Orval só produz uma cerveja e diferente das outras cervejas trapistas ela não tem aquele dulçor presente na maioria das Belgian Strong Ales de abadias. Ela surpreende. Amargor e aroma de lúpulo herbal que vem do Dry Hopping entre a primeira e a segunda fermentação. Uma cerveja azeda, um sabor de malte, com as especiarias bem aparentes e com o final seco. É vista como uma “Ame ou Odeie”. Nós a amamos.

Queijos e uma só cerveja é produzida pela abadia de Orval. A cerveja leva o nome da abadia também belga.

 Diferente das outras cervejarias trapistas a Orval só produz uma cerveja e diferente das outras cervejas trapistas ela não tem aquele dulçor presente na maioria das Belgian Strong Ales de abadias. Ela surpreende. Amargor e aroma de lúpulo herbal que vem do Dry Hopping entre a primeira e a segunda fermentação. Uma cerveja azeda, um sabor de malte, com as especiarias bem aparentes e com o final seco. É vista como uma “Ame ou Odeie”. Nós a amamos.

As cervejas belgas Rochefort são produzidas pela abadia Notre-Dame de Saint Remy.

A mais leve das irmãs possui uma cor âmbar-escuro com boa formação de espuma. Aroma e sabor de caramelo, malte torrado e um frutado levado pro cítrico. Ela é responsável por somente 1% da produção cervejeira da abadia.

Uma ótima Belgian Dark Strong Ale de cor marrom escuro, com uma espuma bege bem formada e de média persistência. Aroma e sabor de chocolate, café, malte torrado. O lúpulo se faz presente de forma discreta. Apesar do alto ABV o álcool é muito bem disfarçado.

Outra Belgian Dark Strong Ale, bem escura, mais que a 8 e de espuma também bege bem formada e de média duração. No aroma percebe-se frutas secas como ameixas e uvas passas, e um pouco de malte torrado e sua potência alcoólica. Na boca o torrado não fica tão na cara como se espera de uma breja bem escura, o frutado doce e o álcool no final do gole são mais evidentes.

A abadia belga de Achel produz as cervejas que levam o nome do mosteiro.

Uma Belgian Strong Ale, dourada, de espuma persistente. Aroma frutado levado pro cítrico. Sabor de malte e das famosas leveduras belgas carregando a breja de frutado.

Uma Belgian Dark Strong Ale dona de uma coloração marrom escuro com lampejos avermelhados. Aroma de café, chocolate e o famoso frutado belga. Na boca os aromas se confirmam.

Características parecidas com a Bruin, mas com mais corpo, dulçor e álcool.

A primeira novidade para muitos é a francesa Mont des Cats, foi declarada trapista e lançada em Junho de 2011.
Antes essa cerveja era fabricada pela abadia de Scourmont-lez-Chimay, então, apesar de ser considerada trapista pela própria Associação, ela ainda não carrega o selo de Autêntico Produto Trapista em seu rótulo, pois sua primeira fabricação foi feita eu outra abadia.

De cor âmbar-alaranjada, com boa formação de espuma. Sente-se o malte caramelado e o frutado das leveduras belgas.

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