#AgoraÉQueSãoElas por Fernanda Fregonesi

fregonesiParceira de longa data já escreveu aqui no blog (Brett Facts) e agora veio preencher nosso espaço pela campanha #AgoraÉQueSãoElas disseminada pela fanpage Quebrando o Tabu. Solta o verbo, Fê!

“Venho acompanhando o movimento cervejeiro há 4 anos. 4 longos, alcoólicos, lupulados e high-gravityzados anos. É visível o aumento de mulheres nos eventos, bares e pubs tomando cerveja, escolhendo suas cervejas sozinhas e despontando no meio cervejeiro como professoras, sommelières e cervejeiras. Aumento visto inclusive dentro das fábricas, onde encontramos cada vez mais moças trabalhando.

Nos autoproclamamos revolucionários, inserimos nossa brasilidade na cerveja, fizemos colaborativas, surgimos com ciganos, temos ideias dentro da cerveja, não nos limitamos em vender mais do mesmo, porém, desde que o mundo é mundo e a roda e o fogo foram inventados no marketing, temos uma associação claríssima de mulheres seminuas com cerveja. Talvez isso seja perpetrado pelas grandes indústrias para chamativo de clientes, mas taí um ponto onde em 4 anos ainda temos os mesmos problemas.

Dentro da enorme diversidade de estilos e rótulos brasileiros ainda encontramos alguns que acabam por se tornarem ofensivos para o público feminino. E não estou falando com base em achismos, este link do First We Feast vem direto com o título “how craft beer fails its female fan base” onde a autora disserta sobre o estereótipo feminino de tomar cervejas leves e de como alguns rótulos (para vocês verem como o “x” da questão não é o mercado brasileiro) ainda ferem as consumidoras mulheres.

Em um ponto a autora diz “O mercado de cervejas é tão grande que eu simplesmente não vou escolher gastar meu dinheiro com uma cervejaria que não se importa se eu me senti ofendida ou excluída.” e ela está certa. Vejo esse comportamento em mim ao escolher uma cerveja na loja. Eu não me sinto atraída pelos rótulos onde mulheres mostram os peitos/bunda/são provocativas, da mesma forma que eu evito os stands de cerveja em eventos que colocam promoters em roupas a vácuo atendendo os clientes.

Não é só um link que está defendendo o fato de que as cervejarias deveriam repensar rótulos, este aqui também.

Está certo que não podemos julgar um livro pela capa, mas conforme este link o consumidor a buscar uma cerveja na geladeira procura por algo que se destaque, e aí que seu produto pode acabar se destacando…negativamente.

Seria hora então das cervejarias brasileiras repensarem seus rótulos visando o público feminino? Em minha opinião, sim. Sim e com pressa. Este ano a consciência de seu papel na cerveja não ser somente o do rostinho bonito ou da “mina do stand” bateu em muitas meninas e eu vi um amadurecimento muito grande do meio feminino em relação a isso. Deu muito orgulho, mesmo.

Quem sai perdendo no geral são as cervejarias, perdendo consumidoras e o respeito das mesmas. Aparentemente ainda é mais fácil apontar o dedo para as grandes cervejarias e seus “Verãos”, suas “Da boas” e as propagandas repetidas com pitchulas na praia do que repensar e conversar com os outros sobre o seu rótulo e como o marketing do seu produto vai afetar a fatia (que não para de crescer) de mulheres que os consomem.

Enquanto isso nós pegamos outras cervejas da prateleira, discutimos outras ideias, nos juntamos para brassagens colaborativas e seguimos a vida, esperando pacientemente o dia em que não tenhamos que nos sentir apenas um pedaço de carne em frente a uma geladeira cheia de cerveja.”

Ainda vai? Quer saber um pouco mais sobre mulheres na cultura cervejeira nacional? Clique AQUI e veja o nome de algumas que já mandam e desmandam na cerveja aqui no Brasil. Esse espaço tá aberto pra quem quiser escrever, inclusive fora dessa campanha.

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