Cerveja de trigo e suas “escolas”

Inspirado em toda essa polêmica do Guia BJCP 2015, numa conversa no grupo do Viber do Bebendo Bem e num pedido de um amigo para voltar com esse tipo de postagem, aqui vai um resumão de como são alguns estilos de cerveja de trigo nas diversas escolas cervejeiras e como diferenciá-los numa degustação.

Wheat-Malt-cropped

Geralmente, quando você vai num bar e pede uma cerveja de trigo o amigo vai te trazer uma clássica Weiss alemã (ele não vai te trazer uma Berliner-Weisse a não ser que você peça) ou, no máximo, uma Witbier belga. Mas já apareceram estilos que fogem dessas duas escolas. A americana criou pelo menos 2 estilos de trigo bem peculiares e “misturou” outro.

Mas vamos do começo. Até onde sei, atualmente são 3 as escolas que tem estilos de trigo, declaradamente: Alemã, Belga e Americana. Então, para não me estender e falar de cada um dos estilos das escolas vamos aos casos gerais:

Da escola alemã falarei de Weissbier, sem ser Dunkel-Weiss ou Weizenbock ou mesmo Berliner-Weisse, pois esses são estilos bem mais fáceis de distinguir dos seguintes. Então, no copo, você vai notar uma cor que vai de amarelo-pálido (amarelo-palha) a dourado, turbidez e uma bela formação de espuma. Os aromas vão remeter claramente a pão, mas com um frutado bem presente lembrando banana e um condimentado remetendo à cravo, gerados pela levedura utilizada. Aroma de lúpulo é imperceptível. Os sabores confirmam os aromas e uma carbonatação intensa sentida na língua lembra uma sensação frisante, com um corpo de médio-leve a médio.

Na Bélgica eles colocam trigo em muitos estilos, mas penso que só Witbier é considerada “cerveja de trigo”. Nela você perceberá a mesma cor pálida e turbidez, mas com um pouco menos de formação de espuma. O aroma dela mostra claramente as especiarias comumente utilizadas: semente de coentro e casca de laranja, também um frutado da levedura e um pouco de acidez. O paladar reforça o que se sente no aroma, mas nessa aqui já pode existir um pouquinho de amargor de lúpulo. Tem boa efervescência na língua, corpo vai de médio-leve a médio e uma leve cremosidade em textura vinda do uso de trigo não-maltado e/ou aveia.

Agora sobre o estilo americano recém criado (em relação aos anteriores) American Wheat. Esses 3 estilos, dependendo do serviço, vão se parecer iguais aos olhos. Cerveja com a mesma coloração de palha até amarelo-ouro, turva, com formação e estabilidade de espuma muito parecida com as anteriores. Visualmente, nenhuma ou pouquíssima diferença. Mas as semelhanças ficam por aqui, por enquanto. No aroma ela já demonstra um lupulado de baixo a moderado que pode remeter a qualquer característica do lúpulo utilizado (cítrico, floral, frutado, condimentado…), pouco aroma de grãos (pão, biscoito…) e a quase completa ausência de características fenólicas (cravo) e esterificadas (banana e outras frutas), pois a linha de leveduras utilizadas é mais neutra e atribui quase nenhuma característica delas à cerveja. Na boca as características do aroma se mostram presente e um médio dulçor de malte pode ser notado. O lúpulo percebido no aroma aparece na boca em mesma intensidade e deixando algo de amargor no retrogosto também. Corpo e carbonatação semelhantes a dos estilos anteriores.

Esses são os mais badalados de cada escola. Notamos muitas semelhanças, de fato. Mas as diferenças são suficientes para que consigamos distinguir um estilo do outro facilmente.

Agora, seguindo um pouco com a brincadeira, não conseguiria não falar brevemente das White IPA e das Wheatwine. São novos estilos, ambos da escola americana e que também tem como base uma boa percentagem de trigo na composição.

As White IPA, também chamadas de Wit IPA e carinhosamente chamada por alguns de Hoppy Wit, são uma variação mais lupulada das tradicionais Witbier citadas acima. É o que chamam de estilo “cross-over“, pois convencionou-se como uma mistura de Witbier com American IPA. Feitas com malte de cevada e de 30% – 50% de trigo, levedura belga (aqui já não vai a neutra das American Wheat) e os lúpulos cítricos e pinhosos americanos.

As Wheatwine são pancadas de cerveja. São o atual extremo das cervejas de trigo, passando as centenárias Weizenbock e se comparando as Barleywine, mas com 50% ou mais de malte de trigo. Normalmente são feitas com malte Pale Ale americano (American 2-row) e malte de trigo. Aqui, de novo, não se utiliza levedura que dê características de banana e cravo. Qualquer variedade de lúpulo pode ser utilizada. Pode passar por envelhecimento em carvalho.

Antes que você diga que tá faltando falar das outras cervejas de trigo, como disse, isso é um resumão para facilitar o entendimento na diferenciação entre alguns estilos de cerveja de trigo. Também não considerei aqui as belgas, por exemplo, que podem levar trigo na composição, tais como Tripel, Saison, Gueuze e outras.

Valeu! ;D

 

 

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