Mulheres da Cerveja nacional

Pegando a ideia do nosso Lupulento Mário Jr. e motivado por algumas reações na nossa última matéria, mesmo que isso cause mais reações negativas, aqui vai:

Na nossa recente postagem sobre o projeto do documentário Mulher, Cerveja e Machismo tivemos algumas  poucas surpresas não muito boas. Comentários negativos do tipo “Não, obrigado.”, “Não, cara…” apareceram e quem vive no meio das cervejas artesanais sabe da importância da mulherada nesse cenário. São muitas, mas muitas mesmo, que sabem muito mais que a maioria dos marmanjos que se dizem cervejeiros por aí.

confece

Uma diferença que já ficou clara entre as chamadas “cervejas de massa” e as artesanais é na comunicação com o público, mas o que eu não tinha notado é o que o próprio público pensa. Alguns que se dizem fãs de artesanais seguem essa mesma linha de pensamento da publicidade das cervejas de massa: superexposição da mulher como objeto.

As mulheres cervejeiras brasileiras podem sim ser um atrativo comercial. Calma. Leia o resto. Atrativo comercial, pois sempre que sei que uma mestre-cervejeira competente ou Sommelière renomada participou de alguma receita pode ter certeza que o produto é de qualidade. Outro dado importante é que TODOS os cursos de Beer Sommelier do país têm mulheres dirigindo esses cursos ou ministrando as aulas. Arrisco dizer que metade dos docentes nessa área é composta por mulheres.

Então, se você é machista e quer ser Beer Sommelier ou até mesmo Mestre-cervejeiro com formação nacional, sinto dizer que você vai ser ensinado por uma mulher bem mais foda do que você raramente vai ser. Elas são mestre-cervejeiras, juízas (do Concurso Brasileiro de Cervejas, por exemplo), embaixadoras de grandes cervejarias artesanais, PhD na área, cientistas, cervejeiras caseiras, gastrônomas, designers de rótulos, administradoras, publicitárias, fomentadoras da cultura…

Estão por toda parte. Como deve ser mesmo!

Vou tentar listar aqui os nomes de algumas das cervejeiras mais fodas do cenário nacional. Não conhecer nenhum desses nomes vai dizer muito sobre sua posição no mercado das artesanais. Peço perdão se por acaso esquecer de alguma, pois são muitas:

Cilene Saorin, Katia Jorge, Kathia Zanatta, Bia Amorim, Carolina Oda, Amanda Reitenbach, Fernanda Meybom, Rosário Penz Pacheco, Fernanda Fregonesi, Fernandinha Ueno, Bianca Barbarini, Gabriela Montandon, Gabriela Muller, Andréa Calmon, Marina Vasconcelos, Amanda Henriques, Ana Paula de Almeida, Daniella Romano, Lisa Torrano, Juliana Behr, Júlia Reis, Sophia Mind, Camila Araujo, Fabiana Arreguy, Priscilla Colares, Taiga Cazarine, Maíra Kimura, Tatiana Spogis, Mariana Schneider, Suelen Presser, Stela Patrocínio, Ketlyn Zim, Daniela Dezordi, Luana Bittencourt, Daiane Colla, Paula Lebbos, Suellen Tobler, Livia Fernandes, Dalva Mere, Rafa Bruneto, Alex Iunes, Luciana Tavares, Katia Pereira, Beatriz Ruiz, Yumi Shimada, Aline Araújo, Amanda Bazzo, Carolina Okubo, Janaína Albino, Daniela Valverde, Fernanda Lazari, e outras centenas que estão no caminho, como as amigas, Katia Tanner e Andrea Luz (@cevadis) e taaaantas outras que não vão nem caber aqui, fora as confrarias, páginas e perfis populares no Instagram que existem por aí. Quais? Meninas no Boteco, CONFECE, Sophia, Pink Boots Society, Flor de Lúpulo, Maria Bonita Beer, @thecraftbeerlady, etc.

Se não as conhece ou não sabe o que elas fazem põe no Google, chapa. (y)

E se não ficou claro, essa postagem não é sobre as mulheres serem coitadas no meio cervejeiro, mas justamente o contrário. Você que é um coitado na frente delas pensando que cerveja é coisa de homem.

Eu? Ponho-me no meu lugar de mero aprendiz.

*Lista feita com a ajuda das feras Juliana Behr e Priscilla Colares.

Imagem: Folha de São Paulo (2014)

 

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