“Nova” postura da AmBev

“Que loucura toda é essa da AmBev?” foi o que muitos pensaram ao ver as recentes notícias (nacionais e internacionais) da maior cervejaria do mundo. Com um forte enfoque no “artesanal” (e vamos deixar o debate sobre o que é artesanal de fato para outro post, ok?) a empresa está investido em rótulos bem mais ligados a estilos que ultrapassam e muito a carga sensorial das clássicas SAL – Standard American Lager. O nome “mais correto” da empresa é Anheuser-Busch InBev, mas vamos continuar chamando de AmBev mesmo. Mais fácil e mais conhecido por todos.

Para quem não sabe como funciona: recebemos constantemente e-mails com sugestões de matéria de agências de publicidade que prestam serviços para diversas cervejarias de diversos tamanhos com informações, novidades, fotos com direitos de reprodução e tudo mais. Isso explica a enxurrada das mesmas notícias veiculadas por vários portais importantíssimos na cena cervejeira e por nós também. Resolvi esperar para postar tudo de uma vez (e daí se virou pauta fria)… E olhe que é bem possível que eles já mandem outra novidade logo após esse post (e mandaram, mas deu tempo de inserir).

Bohemia-Reserva-Barley-Wine-cervejaria-lanca-edicao-limitada-5

Os mais atentos já notaram o aumento da variedade de cervejas deles trazida ao Brasil – vide a chegada de mais 3 rótulos da Leffe, totalizando 7 no mercado nacional – e logo após dessa chegada discreta houve a primeira revelação estranha, mas bem bacana: uma edição limitada da Bohemia – a Bohemia Reserva 2012. Uma English Barley Wine em uma tiragem limitadíssima (3978 garradas), 10% ABV e um precinho bem salgado: R$ 120. Mas olha que bacana, né? Uma Barley Wine da AmBev feita em terras tupiniquins. Logo que divulgada a notícia alguns puristas já começaram a apontar o dedo. Mal sabiam das novidades que vinham após…

Isso rolando no mercado nacional e “tal e coisa” e muitos nem souberam da mais nova aquisição da gigante cervejeira: a americana 10 Barrel e muita gente não sabe das aquisições anteriores, tais como a Pivovar Samson (uma Tcheca da região de Budweis, para cutucar o calo da rival Budweis Budvar), a Blue Point Brewery e a também americana e famosíssima Goose IslandWhaaat? Sim, a das Bourbon CountyMatilda, desde 2011. Por isso o “nova”. Mas trazer elas que é bom… Nada ainda.

Loucura, não é? E você aí ostentando sua Bourbon County como artesanal, de pequenos produtores… Mas ela vale uma ostentaçãozinha sim. Puta cerveja! Não, não é uma despedida e ainda tem mais novidade.

Nesse meio tempo AmBev contratou a mestre-cervejeira Daniela Dezordi, e o chef Felipe Bronze para elaborarem receitas de cervejas com a “cara do Brasil”. O resultado (trechos retirados do release que recebemos):

“… a Witbier “Bela Rosa” traz uma pitada de brasilidade, a pimenta rosa. Seu sabor traz a refrescância dos aromas cítricos da laranja e do limão e herbais, além de um leve toque de coentro.”

“… a “Jabutipa” é uma legítima representante do apreciado estilo IPA com a adição de um ingrediente especial: a jabuticaba. Encorpada, com forte sabor de lúpulo e amargor equilibrado, a cerveja tem 6,5% de teor alcoólico.”

“… a “Caá-Yari” possui aroma com notas de especiarias e erva mate, contribuindo para um amargor diferenciado. O sabor maltado e o teor alcoólico dessa Belgian Blonde Ale …

Seguem na ordem:

Bohemias-novas

O preço sugerido para essas belezinhas é de R$ 12, bem competitivo se comparado as artesanais vendidas aqui e para quem já torceu o nariz para elas digo que agora no Mondial De La Bière (NOV/2014) a Wit ganhou o 2º lugar em Menção Especial na frente da Wee Heavy da Bodebrown (que é foda), por exemplo. (Atualizado 26/11)

No meio da coleta de dados para esse post o Fabian Ponzi do Bebendo Bem fez uma publicação muito bacana sobre Grandes Cervejas de Grandes Cervejarias. Isso é bom para “sambar na cara” dos puristas que dizem as gigantes não têm coisa boa no portfólio. Óbvio que prefiro que as pequenas cresçam sem precisar se juntar às grandes, mas o mercado não funciona tão bonitinho assim e mantendo a qualidade, a variedade e melhorando a logística das cervejarias adquiridas, por mim, já tá valendo.

Se você está pensando que essas aquisições só partem das gigantes você se engana. Temos alguns exemplos de “artesanais” comprando “artesanais”, como foi o caso da Duvel comprando as americanas Ommegang (da cerveja do Game of Thrones) e Boulevard no ano passado e um caso mais recente: Green Flash adquire a Alpine (em inglês) e existem alguns outros casos.

Acho que a função desse post é mais mostrar que se as gigantes estão gastando com as “artesanais” é porque esta valendo a pena o investimento e demonstra que o mercado está crescendo. Não é para defender ninguém, só explanar e relacionar fatos importantes no cenário cervejeiro.

E aqui pode explicar um pouco sobre essa postura: Americanos já bebem mais cerveja artesanal que Budweiser

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