A Westvleteren 12 é realmente a melhor do mundo?

Todos que bebem cerveja artesanal há algum tempo já devem ter ouvido falar da Trappist Westvleteren 12, uma cerveja do estilo Belgian Strong Dark Ale (ou Quadrupel), produzida na abadia trapista Saint Sixtus of Westvleteren, na Bélgica.
Trappist Westvleteren Blond
Muitos dizem ser a melhor cerveja do mundo. Há garrafas custando até R$400 em empórios nacionais. Porém, hoje um pacote com 6 garrafas custa cerca de €35 na Bélgica.
Com limitação na produção (produzem 4750 hl por ano desde 1946) e restrições de visitas ao mosteiro, podendo ser acessado apenas mediante o registro da placa do carro e em temporadas próprias para a visita, a abadia fez sua fama. Hoje você só pode comprar até no máximo 2 caixas (24 garrafas cada caixa) por visita. Antes o limite eram 24 caixas. Fato interessante: a abadia é contra a revenda das cervejas fora da abadia. Apesar de que há vendas devidamente autorizada em redes de supermercados da Bélgica [ver aqui].
Meu contato com essas cervejas foi possível graças ao convite amigos sommeliers: Carolina Cruz e Leopoldo Furtado, ambos blogueiros do Destinos Cervejeiros. Fizemos a degustação e por último fizemos a comparação entre Westvleteren 12 e Trappistes Rochefort 10.
  • Trappist Westvleteren 12 vs. Trappistes Rochefort 10
Começando pelo fim!
Trappist Westvleteren 12 vs.
Trappistes Rochefort 10
Comparar esses dois grandes nomes da escola cervejeira belga parecia ser tarefa bastante difícil para mim. Porém, foi naturalmente simples e delicioso identificar suas diferenças. As duas são obras de arte, e disso ninguém tem dúvida. A sutil diferença está no equilíbrio dos sabores e aromas. As duas são bastante balanceadas e ricas, seus aromas são variados e similares no grau de intensividade. Porém, o aroma da Westvleteren é mais ousado, deixando mais evidente o caramelo, as notas de frutas secas, uma leve sugestão de amadeirado. Ganha por pouco nesse quesito.
Uma deliciosa combinação de caramelo com frutas: uva passa, ameixa, tâmara e notas de vinho do porto complementam esses sabores. O melhor sabor ficou com a Rochefort 10, que conseguiu esconder 11.3% de álcool em um líquido divinamente bem elaborado. Enquanto a Westvleteren, também divina, deixou a sensação do álcool (10.6%) mais evidente.
É fato que a Westvleteren é uma obra de arte. Mas será que realmente é a melhor do mundo? Comparada com a Rochefort 10 em custo e benefício ficou abaixo do esperado. Vá de Rochefort primeiro, se houver a oportunidade compre uma West 12.
  • Trappist Westvleteren 8
 
A número 8 é outra Belgian Dark Strong Ale (mesmo estilo da Gulden Draak e Chimay Blue) que esconde 8% de álcool em seu líquido escuro. Seu aroma é intenso e rico, generosamente lupulado, frutado e alcoólico. Com notas de madeira, ameixa e uvas escuras. O sabor segue o ritmo do aroma e mostra textura licorosa.
  • Trappist Westvleteren Blond
Rufem os tambores! Eis o verdadeiro tesouro da abadia St. Sixtus! Essa Belgian Blonde Ale possui personalidade própria e pode muito bem ser a melhor que já degustei dentro do estilo. Visualmente é uma Blonde comum: líquido levemente turvo, dourado, espuma branca e média altura. O diferencial está no aroma e sabor: ela é mais lupulada do que o normal, com notas doces e frutadas bem evidentes e marcantes. O sabor segue o ritmo mas mostra notas de acidez e condimentado como uma cerveja do estilo Saison.
(1) Carolina e Leopoldo, agradeço a oportunidade! Depois compro outro carangueijo de estimação para vocês!
(2) Informações adicionais sobre a abadia e produção das cervejas Westvleteren foram retiradas do Wikipédia e do nosso próprio site.
Saúde!

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