Dry Hopping (!?)

Lúpulo. Quem disse que amargor na vida é ruim? O que seria da nossa querida cerveja sem o seu tempero? Todo mundo já sabe o que é lúpulo e qual sua influência no sabor da cerveja, certo? Se não sabe, veja o post “Começando…“.

Existem vários tipos de lúpulo, cada um com funções diferentes. Alguns mais aromáticos, outros conferem um sabor mais herbáceo à breja e outros são mais responsáveis pelo amargor. Como falamos no post “Hoje é dia de IPA!“, eles são bem mais perceptíveis nesse estilo. Mas tem muito lupulomaníaco nesse mundo e eles resolveram estudar e tentar acrescentar mais lúpulo nos mais diversos estilos. Um dos métodos mais utilizados para esse acréscimo é o Dry Hopping. 

No método tradicional de adição de lúpulo, no qual ele é adicionado na fase de fervura e onde a liberação das substâncias depende do tempo em que o ele ficará fervendo, muitas características são amenizadas ou até perdidas por conta das borbulhas ferventes. No Dry Hopping o lúpulo é adicionado à mistura após a fervura, sem ou quase sem borbulhas, para evitar que os aromas sejam volatilizados.

Dry Hopping Orval
“Saco” de lúpulo num Dry Hopping feito na Trapista Orval.

Certo dia tivemos o prazer de tomar três exemplares de cerveja que utilizam dessa técnica. As três bem diferentes: uma Amber Lager, uma Red Ale e uma cerveja sem álcool. Estilos que já provamos antes (do blog), mas sem essa adição de lúpulo e podemos dizer que fez total diferença.

Começamos pela Rogue Dry Hopped – St. Rogue Red Ale, uma cerveja marcante. No copo observa-se um
 vermelho-acobreado translúcido com pouca formação de espuma, mas esta se mostrou persistente. O sabor é de malte tostado, com um bom final lupulado. Cheira a frutas, toffee e lúpulo, lógico. Um ótima cerveja!

A segunda cerveja foi a brasileira Eisenbahn 5, edição comemorativa pelo aniversário de 5 anos da cervejaria. É uma Amber Lager de cor cobre com boa carbonatação e formação de espuma. O lúpulo é bem presente e o malte caramelo também. Segue um vídeo pequeno, mas bem didático sobre a cerveja do canal da Eisenbahn:

Encerramos a noite com a esquisita Nanny State da inusitada cervejaria Brewdog que tem a fama de ousar nas suas brejas. Cerveja de coloração cobre, meio marrom, pouca formação de espuma, mas esta se fez constante. A graça tá no amargor e na falta de álcool: declarada com 200 IBU e não-alcoólica (0,5%). Ela é feita com oito tipos de maltes de especiarias (que não são de cevada) sendo que só se colocam cerca de 20% do malte que vai nas cervejas normais e 5 lúpulos: Centennial, Amarillo, Columbus Cascade e Simcoe, além de um brutal Dry Hopping com Centennial e Amarillo. O pouco malte faz com o que a produção de álcool na breja seja menor. Acredito que um chá de lúpulo teria gosto semelhante. Vale a pena conhecer.

Foi-se um processo estranho aos marinheiros de “segunda viagem” que é bem utilizado no mundo cervejeiro. Sempre tentaremos mostrar estilos e processos com exemplos de cerveja.

Até mais!

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