Cervejas artesanais da Geração Y

Quando se trata de produção de cerveja já ficou claro que somos bons o bastante para ganhar vários prêmios e representar o nosso país de forma justa. Mas o fato é que o gosto por cerveja boa – a cerveja artesanal – não foi despertado em massa. E isso atrapalha a produção e a comercialização de produtos diversos da “área cervejeira”.
A falta de rótulos novos nos supermercados brasileiros, e principalmente nos cearenses, nos faz vítimas da mesmice. Sempre bebendo as mesmas cervejas da mesma marca, e de vez em quando comprando algum rótulo por R$30 para sair da rotina. Enquanto em outras partes do mundo se encontra uma diversidade bem maior de rótulos.

Não se cansam da rotina? Queremos mais rótulos! Viva a diversidade: estilos, sabores, ideias, visual, etc.

Aos poucos a cultura cervejeira vem crescendo no Brasil e no Ceará. Nos Estados Unidos, desde a década de 90 vem se produzindo maravilhosas cervejas e cada vez mais surgem novas cervejarias com propostas absurdamente inovadoras. Algumas dessas novas cervejarias têm como público a geração Y (Y de Young, que significa jovem em inglês). O público rebelde, diferente, off-centered, distorcido, inovador, não compreendido, tudo isso ou um só. É sobre esse tipo de cerveja que iremos nos focar nessa matéria.

As cervejas Single Hop¹ da Mikkeller

No Japão se faz de tudo, e quando se trata de cerveja não é diferente.
A Sapporo Space Barley usa cevada cultivada no espaço!
Cerveja feita por pessoas de diferentes idades, não importa. Ser jovem é um estado de espírito. E foi colocando em prática suas ideias mais loucas e “juvenis” que alguns mestres cervejeiros conseguiram alcançar o sucesso para suas cervejarias. Principalmente nos EUA, mas também na Dinamarca, Escócia, Brasil e outros países, as nossas amadas bebidas têm aparecido nas prateleiras das lojas e supermercados com rótulos cada vez mais diferentes e criativos, propostas de sabores cada vez mais estranhos e curiosos.

Diabólica, representando o Brasil. Quem não
ficaria interessado em conhecer essa cerveja?

Uma boa degustação começa a partir do visual da cerveja, partindo do desenho do rótulo e suas influências psicológicas. Afinal, quem não julga um livro pela capa? É raro não agir assim. Foi pensando nisso que as cervejarias apostaram na boa arte e na sua criatividade para conquistar o cliente. São desenhos em linguagem moderna, geralmente feitos digitalmente, mas existem vários feitos à mão, o que dá um ar retrô à breja. Segue alguns dos melhores rótulos que já vi além dos que estão aqui em imagens: Ippon Matsu Ganko, Cerveceria Sagrada, Hornstull Honey Amber, Dominion Monk, Left’s Hand 400 Pound Monkey, entre muitos outros².

Se não funcionar, as próximas etapas da experiência gastronômica cervejeira seriam a chave do sucesso. Seriam essas etapas: os odores, sabores, adjuntos e a degustação propriamente dita.

Sierra Nevada é sem comentários.
Essa é a Hoptimum IPA.

Pois é, hoje em dia tudo pode virar sabor para cerveja³. E por que não? Temos cerveja de maracujá, açaí, framboesa, cajá, rapadura, cana-de-açúcar, cereja, pão, banana, damasco, chocolate, café, mel, abóbora, limão, pimenta, petróleo e outros. Enfim, é mais completo que cardápio de sorveteria.

Rasputin foi um russo bizarro que deu muito trabalho para morrer.
Essa Russian Imperial Stout homenageia esse senhor barbudo.

As cervejas vem sendo produzidas com um cuidado crescente. Acabou tornando-se uma competição divertida para ver qual cervejaria é a mais criativa. Os temas são variados. Há homenagens a músicos, bandas, artistas, ícones de época e há inclusão de sabores que definitivamente você nunca imaginou encontrar em uma cerveja. Isso não se restringe apenas ao produto lançado. A cervejaria artesanal de hoje também deve levar em seu nome algo que cause curiosidade no cliente. Alguns exemplos: Dogfish Head (que significa cabeça de cação), Samuel Adams (político, foi um dos pais fundadores dos EUA), Delirium (a cervejaria ainda leva na logomarca um elefante rosa), Bodebrown (colocaram óculos do James Brown em um bode e chamaram ele de Bodebrown), Evil Twin (ou o gêmeo do mal, criada pelo irmão gêmeo do fundador da Mikkeller), dentre muitas outras.

Apenas algumas cervejas do gêmeo do mal

Esperamos que mais cervejarias artesanais continuem apostando nas suas loucuras e continuem trazendo experiências bizarras para a mesa do bar. De preferência as marcas brasileiras, que ainda possuem o costume de fazer cervejas mais caretas. Que continuemos sendo surpreendidos bela beleza da arte do craftbrewing e que essa “arteciência” continue conquistando seu devido espaço e respeito no Brasil. 

Dogfish Head: o lema deles é “off-centered ales for off-centered people”
ou algo como “cervejas anormais para pessoas anormais”

Falou em Brasil, falou em petróleo! Quem já bebeu petróleo?
Eu já!
Só postei imagens de algumas das várias cervejas “loucas”, mas vocês podem devem dar mais dicas nos comentários abaixo. Até por que não há tanto espaço assim na postagem para imagens. Troquem uma ideia conosco!

(1) Cervejas que utilizam apenas um tipo de lúpulo na sua fabricação.
(2) Provavelmente haverá uma continuação da matéria tendo em vista que esse assunto é muito interessante, extenso e há como se aprofundar mais ainda. 
(3) Nem sempre esses sabores são oriundos dos adjuntos. Alguns sabores, como maracujá por exemplo, provém dos tipos de lúpulo utilizados na fabricação da cerveja.

Fontes:
http://beeradvocate.com/beer/style/9/?start=0
http://allaboutbeer.com/learn-beer/history/2001/09/craft-brewings-generation-y/

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