Cerveja trapista: as 11 cervejarias trapistas*****

Selo Trapista/Trappist seal
Selo Trapista

Rola muito “bafafá” sobre as cervejas trapistas. “Ah, porque são as melhores do mundo!” “Ah, porque são quase exclusividade!” Todas as que provei realmente me impressionaram. São muito boas! Todos deveriam provar as benditas (literalmente).

Mas o que “céus” é trapista? Só existe cerveja trapista ou tem mais coisas?
Vamos lá tornar as coisas mais simples. A Ordem Cisterciense da Estrita Observância, mais comumente chamada de Trapista, é uma ordem católica de monges que seguem a regra Beneditina que prega obediência, pobreza, humildade e silêncio, conciliando a vida monástica entre o trabalho, o estudo e a meditação. Eles resolveram fabricar produtos para poderem sustentar as abadias com a venda.

Esses monges fazem de tudo: pão, cerveja, mel, carne, queijo, licor, champagne, chocolate, cosméticos…

Das 18 abadias quem compõem a Associação Trapista Internacional, somente 11* produzem as tais cervejas. Sim, agora já são 11* mosteiros fabricando cervejas trapistas. Então, Trapista não é um estilo.
Para um mosteiro poder comercializar uma cerveja com o selo trapista ela tem que ser fabricada sob algumas regras:
– A cerveja deve ser fabricada dentro das paredes do mosteiro trapista pelos próprios monges ou sob a sua supervisão;
– A cervejaria deve ser subordinada ao mosteiro e deve ter uma cultura empresarial condizente ao projeto de vida monástica;
– A cervejaria é quase filantrópica, sem fins lucrativos. Os recursos são para o sustento dos monges e para a preservação da abadia. O que sobra é usado em causas sociais ou doado para pessoas carentes;
– A cerveja trapista é de uma qualidade impecável, que é controlada permanentemente.
Vamos começar pelas cervejas da abadia Koningshoeven, em Tilburg – Holanda:
Responsável não só pela cerveja La Trappe, mas também por pães, bolachas, chocolates e geleias. Todos produtos com selo trapista.

La Trappe cervejas trapistas
8 das 9 cervejas produzidas pela abadia Koningshoeven

As cervejas, na ordem da imagem acima, e seus respectivos ABV, temperatura de serviço e breve comentário:

La Trappe PUUR – 4,7%, 4-6ºC, é uma trapista light, fácil de beber, refrescante e lupulada. Uma cerveja orgânica.
La Trappe Witte Trappist – 5,5%, 4-6ºC, é a única Witbier trapista do mundo. Com refermentação na garrafa, feita usando somente água, trigo e lúpulo.
La Trappe Blond – 6,5%, 8-10ºC, essa cintilante cerveja dourada ostenta um rico, frutado e refrescante aroma. Um gosto levemente doce e maltado. Suave amargor um retrogosto amigável.
La Trappe Dubbel – 7%, 8-12ºC, de um profundo marrom-avermelhado e com uma atrativa espuma bege. O uso do malte caramelo confere um suave aroma caramelizado.
La Trappe Bockbier – 7%, 10-12ºC, essa cerveja sazonal é a única trapista do estilo Bock no mundo.
La Trappe Jubilaris – 7%, 10-12ºC, essa cerveja sazonal é a única trapista do estilo Bock no mundo.
La Trappe Isid’or – 7,5%, 10-14ºC, Isidorus foi o primeiro mestre-cervejeiro das La Trappe. Essa cerveja marcou os 125 anos (2009) de produção cervejeira.
La Trappe Tripel – 8%, 10-14ºC, aroma de malte e ésteres. Usa coentro e outras especiarias na sua fórmula.
La Trappe Quadrupel – 10%, 10-14ºC, é a La Trappe mais forte. De cor âmbar quente, de intenso aroma rico e balanceado.
La Trappe Quadrupel Oak Aged – 10%, 12-18ºC, feita com a velha tradição de envelhecer bebidas em barriletes de madeira que conferem à breja aromas únicos.
*Textos obtidos no site http://latrappetrappist.com.

*ATUALIZADO (1 de 4)
Recentemente (Agosto/2013) uma nova La Trappe foi adicionada a lista: Jubilaris a 10ª trapista da abadia holandesa.
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A abadia belga de Scourmont-lez-Chimay é responsável por queijos trapistas e pelas cervejas Chimay.

Chimay Dorée – 4,6%, 6-8ºC, Essa cerveja existe desde 2007 e só era servida no Hostel Peatoupré, mas no ano passado foi liberada a rpodução em larga escala. Dourada, com o denso colarinho branco, apresenta aromas frutados e florais de levedura, leve dulçor e corpo baixo.
Chimay Red Cap (Première) – 7%, 10-12ºC, foi a primeira cerveja feita pela a abadia. Uma Belgian Dubbel acobreada, espuma consistente, leve aroma frutado de damasco vindo da fermentação. Sabor de malte e um perceptível frutado.
Chimay Tripel (Cinq Cents) – 8%, 6-8ºC, sutil combinação de lúpulos refrescantes e leveduras que conferem um frutado de maça, uvas verdes… Uma bela Belgian Tripel.
Chimay Blue Cap (Grand Reserve) – 9%, 10-12ºC, uma Belgian Dark Strong Ale memorável. Bom corpo, escura, espuma consistente, aroma e sabor de caramelo sem ser excessivamente doce. Ótima!

Aqui o link de um Tour pela abadia: http://youtu.be/6_sVVOk0njU
*informações tiradas do site: http://chimay.com

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As cervejas Westmalle são feitas pelos monges da abadia belga de mesmo nome, que também produz queijos.

Westmalle Dubbel – 7%, 8-12ºC, o doce residual encontrado em cervejas mais alcoólicas não é tão perceptível nesta cerveja, o que me agrada. Um certo frutado, toffee, torrado, café, espuma persistente e final seco.
Westmalle Tripel – 9,5%, 10-14ºC, chamada de a “mãe das Tripels”. Sentimos um frutado cítrico, maltado, lupulado e com final alcoólico bem aparente.
Westmalle Extra – 5%, 6-8ºC, essa raridade é provada por poucos, servida no mosteiro somente aos monges e a visitantes. “No aroma, traz notas de frutas frescas, especialmente peras, maçã vermelha e sugestões de damasco. O corpo é leve e a carbonatação, alta. Equilibrada.” M. Beltramelli – Brejas.

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OrvalQueijos e uma só cerveja é produzida pela abadia de Orval. A cerveja leva o nome da abadia também belga.
Orval – 6,5%, 8-12ºC, diferente das outras cervejarias trapistas a Orval só produz uma cerveja e diferente das outras cervejas trapistas ela não tem aquele dulçor presente na maioria das Belgian Strong Ales de abadias. Ela surpreende. Amargor e aroma de lúpulo herbal que vem do Dry Hopping entre a primeira e a segunda fermentação. Uma cerveja azeda, um sabor de malte, com as especiarias bem aparentes e com o final seco. É vista como uma “Ame ou Odeie”. Nós a amamos.
*site oficial: http://www.orval.be/en/8/Brewery

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As cervejas belgas Rochefort são produzidas pela abadia Notre-Dame de Saint Remy.

Trappistes Rochefort
Trappistes Rochefort 6, 8 e 10.

Rochefort 6 – 7,5%, 8-12ºC, a mais leve das 3. Uma cor âmbar-escuro com boa formação de espuma. Aroma e sabor de caramelo, malte torrado e um frutado levado pro cítrico. Ela é responsável por somente 1% da produção cervejeira da abadia.
Rochefort 8 – 9,2%, 10-14ºC, uma ótima Belgian Dark Strong Ale de cor marrom escuro, com uma espuma bege bem formada e de média persistência. Aroma e sabor de chocolate, café, malte torrado. O lúpulo se faz presente de forma discreta. Apesar do alto ABV o álcool é muito bem disfarçado.
Rochefort 10 – 11,3%, 10-14ºC, mais uma Belgian Dark Strong Ale, bem escura, mais que a 8 e de espuma também bege bem formada e de média duração. No aroma percebe-se frutas secas como ameixas e uvas passas, e um pouco de malte torrado e sua potência alcoólica. Na boca o torrado não fica tão na cara como se espera de uma breja bem escura, o frutado doce e o álcool no final do gole são mais evidentes.

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A abadia belga de Achel produz as cervejas que levam o nome do mosteiro.

Achel Blond, Bruin e Extra

Achel Blond 5% Achel Brune/Bruin 5% são servidas somente na abadia, saindo dos barris.
Achel Blond – 8%, 8-12ºC uma Belgian Strong Ale, dourada, de espuma persistente. Aroma frutado levado pro cítrico. Sabor de malte e das famosas leveduras belgas carregando a breja de frutado.
Achel Brune/Bruin – 8%, 8-12ºC,  uma Belgian Dark Strong Ale dona de uma coloração marrom escuro com lampejos avermelhados. Aroma de café, chocolate e o famoso frutado belga. Na boca os aromas se confirmam.
Achel Extra Brune/Bruin – 9,5%, 10-12ºC, características parecidas com a Bruin, mas com mais corpo, dulçor e álcool.

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Mont des CatsA primeira novidade para muitos é a francesa Mont des Cats, foi declarada trapista e lançada em Junho de 2011.
Antes essa cerveja era fabricada pela abadia de Scourmont-lez-Chimay, então, apesar de ser considerada trapista pela própria Associação (vide site da associação ao final do texto), ela ainda não carrega o selo de Autêntico Produto Trapista em seu rótulo, pois sua primeira fabricação foi feita eu outra abadia.
Mont des Cats – 7,6%, 8-10ºC, de cor âmbar-alaranjada, com boa formação de espuma. Sente-se o malte caramelado e o frutado das leveduras belgas.
*página oficial: http://www.abbaye-montdescats.fr/?page_id=501

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A segunda novidade: as cervejas” da abadia austríaca de Stift Engelszell, recém autorizadas a circular com o selo trapista, em 2012. A abadia também produz licores.

Trapistas Benno e Gregorius
As cervejas da nona abadia cervejeira trapista.

*ATUALIZAÇÂO (2 de 5) Nivard – 5,5%, 6-8ºC, “ein helles Dubbel” – uma Dubbel brilhante. Coloração âmbar, boa formação de espuma. “No aroma, traz notas frutadas intensas de abacaxi e laranja, além de sugestões leves de caramelo e fermento de pão, tudo evidenciando as leveduras de origem belga.” M. Beltramelli – Brejas.
Benno – 
6,9% (encontrei imagens também de uma 7,2%), 8-10ºC, “ein helles Dubbel” – uma Dubbel brilhante. Coloração âmbar, boa formação de espuma. “No aroma, traz notas frutadas intensas de abacaxi e laranja, além de sugestões leves de caramelo e fermento de pão, tudo evidenciando as leveduras de origem belga.” M. Beltramelli – Brejas.
Gregorius – 9,7%, 10-12ºC, “ein dunkles Trippel” – uma Tripel escura. Boa formação de espuma e aroma de caramelo e mel. Na boca percebe-se mais caramelo, mel e notas frutadas.
Segue o link do “jornalzinho trapista” de seu lançamento com o selo de Autêntico Produto Trapista:
http://www.trappist.be/index.cfm?WID=118&BriefID=15
*fonte: http://www.stift-engelszell.at/cmsimple/?Trappistenbier-Brauerei

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E a abadia trapista responsável pela melhor cerveja do mundo, de acordo com alguns poucos que já tiveram oportunidade de provar: a Westvleteren. Por isso resolvemos deixar essa descrição pro final.

As 3 Westvleteren: VIII, Blond e a tão falada XII, da esquerda para a direita.

Westvleteren Blond – 5,8%, 6-8ºC, turva e de cor âmbar-amarelada, com boa formação de espuma branca. Aroma é de pera, maçãs e um cheirinho de mato vindo do lúpulo. Na boca ela confirma os aromas, bem carbonatada e com um final amargo.
Westvleteren VIII – 8%, 8-10ºC, coloração marrom-escura com boa formação de espuma. Cheira a malte, frutas vermelhas e uvas e lúpulo herbáceo. O sabor é de caramelo, frutas vermelhas e passas, álcool pronunciado e final alcoólico e doce.
Westvleteren XII – 10,2%, 10-12ºC, “Menos aromática que a 8 mas com uma intensidade de sabor bem maior. … com notas de caramelo, toffee, melaço e até do candy sugar. Ela também só tem maltes claros na composição e sua cor vem do uso do candy sugar escuro. O amargor é inexistente e a doçura toma conta do conjunto. Ela tem um teor alcoólico bem alto e uma textura extremamente sedosa e licorosa mas é impressionante como fica equilibrada e fácil de beber. … A melhor do mundo? Deixo para cada um tirar suas próprias conclusões.” Rodrigo Campos – Para Que Vocerveja.
*fonte: http://www.sintsixtus.be/eng/brouwerij.htm e 
blog Para Que Vocerveja: http://paraquevocerveja.blogspot.com.br/2011/08/westvleteren.html

As recém reconhecidas Benno e Gregorius mostram que os monges dão grande importância a cerveja. Recentemente uma abadia fora da Europa entrou para a Associação Trapista, a abadia de St. Joseph em Massachusetts – USA, e creio que os monges americanos logo começarão sua produção de cerveja. A medida que forem surgindo mais abadias cervejeiras trapistas vamos tentando atualizar esse post.
Alguns dizem que a escolha da maioria das abadias em fazer 3 cervejas diferentes remete à Santíssima Trindade. Faz sentido.

*ATUALIZADO (3 de 5)
Como lido no parágrafo acima a abadia americana de St. Joseph finalmente criou sua cerveja, veja mais detalhes aqui: Primeira cervejaria trapista das Américas!  A Mont des Cats ainda não recebeu o Selo Trapista, então, a Spencer é oficialmente a 9ª cervejaria trapista.

Spencer – 6,5%, 6-10ºC, “Como dito no rótulo a Spencer Trapist Ale foi, de fato, baseada nas trapistas europeias. Uma encorpada cerveja dourada com aromas frutados, final seco, um leve amargor lupulado e seus 6,5% ABV em garrafas de 330 ml e 750 ml. Ela ficará marcada como a primeira cerveja trapista das Américas”

*ATUALIZADO (4 de 5)
Mais uma trapista foi adicionada a lista: a holandesa Zundert. Confira AQUI sua apresentação, imagens e informações. Esta é a 10ª cervejaria a receber o selo ATP.

Zundert – 8%, 6-10ºC, “coloração âmbar-avermelhada, boa formação de espuma (como bem mostrados na imagem ao lado). Aromas e sabores frutados característicos desse estilo de cerveja com algumas ervas bem aparentes e um final levemente amargo.”

*ATUALIZADO (5 de 5)

Tre Fontane – 8,5%, 8-10ºC, a Tre Fontane Tripel é feita com eucaliptos plantados pelos monges para combater um surto de malária em 1870 e que são cultivados na abadia desde lá.

trefontane

E aqui vai um mapa atualizado de todas as cervejarias trapistas do mundo:

trappist-map-world

“A beer brewed with love is drunk reasonably.”

 

 

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