Cerveja e queijo: um pequeno guia de harmonização

Atualmente, a nossa bebida preferida vem ganhando destaque como bebida gastronômica (ainda bem!!). Devido a sua variedade de aromas e sabores, sua carbonatação e por ser uma bebida extremamente democrática, a cerveja proporciona uma gama de possibilidades para explorarmos sua harmonização com os mais variados pratos.
Além dos famosos tira-gostos, compostos, normalmente, por frituras e outras comidas de boteco, existem outras formas de combinar alimentos com cerveja de forma equilibrada e agradável.
Cada um dos ingredientes principais da cerveja fornece características peculiares que facilitam na hora de criar uma combinação com pratos.
Esses atributos da cerveja podem ser provenientes do tipo e quantidade de malte de cevada, da natureza da levedura, da intensidade, do amargor e outros aspectos oriundos do lúpulo e dos demais ingredientes, que podem ser utilizados na fabricação de cervejas, os chamados adjuntos cervejeiros.
A cevada confere ao paladar seu sabor típico, traços adocicados, leve amargor proveniente torrefação, e, em alguns casos, aroma de defumado.
A levedura imprime toques condimentados e também frutados. O lúpulo tem características herbáceas, amargor peculiar, e, em alguns tipos de lúpulos, há notas frutadas, cítricas e até aroma floral.
Os adjuntos cervejeiros colaboram com sabores interessantes. As ervas, especiarias, frutas e outros ingredientes contidos no preparo de algumas cervejas compõem uma gama incrível de sabores, tornando o paladar destas cervejas ainda mais complexo e atraente.
A carbonatação presente na cerveja limpa o paladar, especialmente de elementos gordurosos como queijos, preparando a boca para receber novos sabores.
 

 

Ao harmonizar, é essencial conhecer o perfil da cerveja selecionada. Tendo o delineamento dos sabores contidos na sua bebida, facilita ao tomar decisões quanto à preparação que será harmonizada. Além da importância dos ingredientes, a forma de preparo do prato também interfere no resultado final da harmonização.
A seguir, veremos que a união entre esses dois fermentados consiste em um casamento perfeito.
O princípio de harmonização mais adequado entre cervejas e queijos é por semelhança. Para facilitar a harmonização, optamos por classificar os queijos em alguns tipos básicos.

 

Utilizando essa classificação, iniciamos apresentando os queijos brancos macios, suaves e cremosos, que combinam extremamente bem com cervejas Pilsen, Amber e Lagers, de preferência com baixa torrefação. Traduzindo: Queijos suaves e úmidos (Como a Ricota, Cottage, Minas e Boursin) com cervejas loiras refrescantes.
Queijos macios de mofo branco (como Camembert, Saint Maure e Brie) ficam mais interessantes com cervejas de trigo, como a Weizenbier e a Kölsch. A adição de notas frutadas nessas cervejas, gera uma fusão de sabores equilibrada. Ainda por causa do sabor frutado, as Fruitbeers são excelentes para esses tipos de queijo, que costumam ser servidos com geleias de frutas.
Queijos azuis, compostos de veios de bolor comestível, possuem características mais fortes e complexas, trazendo ao paladar toque picante e salgado. Queijos desta categoria (como Gorgonzola, Stilton e Roquefort) combinam bem com cervejas mais marcantes, com lúpulo marcante, toque de especiarias e/ou com torrefação mais intensa, criando assim uma combinação impetuosa de sensações. Para esta categoria de queijos, a India Pale Ale (e as Pale Ales de forma mais geral), a Strong Golden Ale e as Weizenbock são excelentes escolhas.
Queijos semiduros tem sabores adocicados, textura mais firme, porém ainda com maciez, sabor envolvente, podendo ter toque de nozes ou amêndoas. São exemplos dessa categoria, o Gruyère, Emmental, Gouda e Maasdam e resultam em consonância com a elegante Lust (Bière Brut), além da Dubbel, as Pale Ales e também a Strong Golden Ale. A Doppelbock é outra opção sensacional para esse tipo de queijo, pois seu toque caramelado e suas notas de frutas secas se assemelham aos sabores e aromas desses queijos.
Já os queijos duros (Como o Parmesão, Pecorino, Cheddar* e Grana Padano) tem textura mais granulada e firme, sabores bem intensos, características picantes e frutadas, gerados pela longa maturação. Estes queijos são marcantes e pedem cervejas do tipo Dunkel, Stout, Weizenbock e Weihnachts Ale, que são bebidas marcantes, de alta torrefação, sabores acentuados e vigorosos.
Outros sabores ativos que geram boas combinações com essa classificação de queijo são as Pale Ales e a Barley Wine, essa última sendo de elevado teor alcóolico.
Para queijos defumados como o provolone, As Porters são boas pedidas! A Rauchbier é uma excelente opção para os fãs do leve amargor adquirido da defumação, pois casa as notas defumadas da cerveja com as do queijo.
Queijos de cabra, como o Saint Paulin, Feta, Caprino Romano e o Serra da Estrela merecem cervejas como a Hefeweizen. A Saison também trará resultados satisfatórios, visto que a intensidade de sabores dos queijos é similar a intensidade dessa bebida.
Aventurar-se no universo de combinações inexploradas (e também pelos caminhos já traçados) é enriquecedor, satisfatório e prazeroso. Testar possibilidades e conhecer melhor seu paladar, além de apreciar suas cervejas preferidas em momentos de descontração e lazer é uma das melhores coisas que podem ser feitas.

Se você decidir testar harmonização de cerveja com queijo seguindo essas sugestões, conte-nos como foi. Se resolver experimentar novas combinações, conte-nos também!

Um brinde à cerveja!
(*)O verdadeiro Cheddar é da Inglaterra, possui coloração alaranjada,maturação média que confere firmeza ao queijo, além de sabor que remete à maçã, nozes e café.Lara Lins é pós-graduada em Gastronomia e autora do blog Gastroempatia

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *